A Lambda3 acredita que o Dia Internacional da Mulher deve ser representado como um momento de reflexão sobre as atitudes das pessoas – independente do gênero e o que podemos fazer de diferente para conquistar mais espaço e igualdade no tratamento dentro da sociedade.

Durante esse mês iremos publicar um pedacinho da história de mulheres com um grande papel na ciência e na sociedade, que são exemplos de luta, superação e conquistas pela igualdade.

Hoje falaremos um pouco sobre Laura Bassi.

Laura Maria Caterina Bassi, nascida em 31 de Outubro de 1711 em Bolonha na Itália foi uma cientista interessada principalmente pela física newtoniana, a qual dedicou 28 anos ministrando cursos. Por pertencer a uma família rica, seu pai, advogado, contratou o professor universitário Gaetano Tacconi para que pudesse lecionar em sua casa quando tinha 13 anos de idade e assim foi por durante sete anos.

Aos 20 anos, após muito praticar de forma privada, Laura defendeu publicamente sua tese no Palazzo Pubblico e assim iniciou sua carreira acadêmica.

Bassi obteve seu doutorado em Filosofia em Maio de 1732, após defender publicamente quarenta e nove teses no Palazzo Pubblico. E assim se tornou a segunda mulher no mundo a ganhar um doutorado de filosofia depois de Elena Cornaro Piscopia em 1678, cinquenta e quatro anos antes.

Após um mês, defendeu 12 teses adicionais no Archiginnasio, o edifício principal da Universidade de Bolonha, que lhe permitiu solicitar uma posição de professora. Em Outubro do mesmo ano, recebeu a cátedra de Filosofia na universidade e também se tornou membro da Academia de Ciências.

Em 1738 casou-se com Giuseppe Veratti, um colega acadêmico doutor em filosofia e medicina, com quem teve doze filhos mas apenas 5 sobreviveram. Durante a década de 1760, Bassi e seu marido trabalharam juntos em pesquisas experimentais relacionadas a eletricidade e isso atraiu outros talentos para a cidade de Bolonha para estudar o assunto.

Sete anos mais tarde, o Papa Bento XIV, adepto de uma menor censura em relação a pesquisas científicas e admirador da contribuição das mulheres para este campo de saber, criou um grupo de elite de 25 estudiosos conhecido como “Benedettini”. Laura tentou por diversas vezes se tornar membro do grupo, mas outros acadêmicos se opunham com relação a sua presença. Bento XIV acabou por atender ao seu pedido e a concedeu o direito de fazer parte do grupo, sendo ela a única mulher.

Sua primeira conferencia  foi intitulada “A água como um elemento natural de todos os outros corpos”. Foi relatado que Bassi deu pelo menos 31 dissertações a universidade. A universidade por sua vez, era a favor de que as mulheres deveriam levar uma vida privada, e assim Laura não conduziu mais palestras e dedicou-se a dar aulas particulares em casa no ano de 1749 e isso permitiu que ela se afastasse das restrições e retomasse sua carreira.

Devido ao seu aumento nas responsabilidades e aparições públicas em nome da universidade, Bassi foi capaz de pedir de aumentos salariais regulares, que por sua vez foi usado para pagar seu equipamento avançado e alavancar suas pesquisas cientificas. Bassi ganhou o salário mais alto pago pela universidade de Bolonha de 1.200 liras.

Com a morte de Paolo Balbi em 1772, presidente da física experimental, Laura acreditou que poderia preencher a vaga mesmo seu marido sendo o assistente de longa data de Balbi e por consequência o mais indicado para o cargo. Assim, em 1776 aos 65 anos, foi nomeada para ser responsável pela física experimental no Instituto de Ciências de Bolonha tendo seu marido como assistente de ensino.

Em sua vida, ela foi autora de 28 artigos, a maioria destes relacionados a física e hidráulica, dos quais 4 foram publicados. Nenhum livro chegou a ser escrito.

Bassi veio a falecer dois anos após essa conquista, sendo reconhecida por seus feitos para a ciência ao longo de sua carreira e por ter elevado o status das mulheres nos círculos acadêmicos.