Fazer a agilidade extrapolar a seara convencional dos projetos de desenvolvimento de software traz diversas questões, a maior parte delas associadas ao perfil da empresa onde essa dinâmica de trabalho se desenrola.

Aqui na Lambda3 não é diferente e, fazendo dobradinha com a Patrícia Kost, que compartilhou recentemente um artigo com a percepção da nossa área de Pessoas sobre essa parceria, trago nas próximas linhas uma visão através do ponto de vista de uma agilista. Bora lá?! 🙂

Ah! Reforço que o que chamamos de área de Pessoas se refere ao departamento comumente conhecido como Recursos Humanos ou Gente & Gestão. 

Para amparar a nossa conversa, caso você não nos conheça tão bem, aqui na Lambda3 utilizamos um modelo de gestão horizontal, onde não se estabelece uma hierarquia verticalizada composta por presidente, diretores, gestores, coordenadores e afins.

Aqui temos pessoas que atuam em frentes específicas de trabalho, como Financeiro, Pessoas, Operações, Administrativo, Clientes, etc. Dependendo do volume de pessoas, essa organização pode se dar em pares ou times, que estão diretamente envolvidos com uma entrega de valor específica, da qual detém conhecimento, para a empresa. 

 

Com esse alinhamento, partiu falar sobre Agilidade + Pessoas?

Bom, considerando que nós, “povo de Agilidade” trabalhamos diretamente com pessoas, inclusive tendo em vista um dos valores do Manifesto Ágil “Pessoas e interações mais do que processos e ferramentas”, esse trabalho em conjunto não deveria ser uma surpresa, mas, conforme prometido, trarei para a pauta nossa realidade por aqui para dar maior veracidade, consistência e proximidade a você que gentilmente disponibilizou seu tempo para nos ler. 

 

Analisando o potencial dessa parceria, chegamos a três grandes frentes de atuação:

1. Levar conceitos e práticas ágeis para a rotina do time de Pessoas

2. Aproximar o time de Pessoas dos times de desenvolvimento

3. Apoiar ações que impactam todas as pessoas da organização

1. Levar conceitos e práticas ágeis para a rotina do time de Pessoas

Quando falmos sobre este aspecto, estamos nos referindo a compartilhar nosso conhecimento sobre modelos de processos e suas práticas que possam otimizar o trabalho desse time. Um exemplo interessante se refere à possibilidade de uso da gestão visual para organização do trabalho ou a incorporação de momentos de retrospectiva à essa rotina. 

É importante estarmos atentos às particularidades do cenário e isso pode se aplicar a qualquer contexto. Tentar aplicar propostas de maneira engessada, pode ser bem frustrante. Atente-se mais ao valor que pode ser agregado, do que a aplicação de sprints fechadas de x dias, por exemplo.  Esse tipo de parceria pode proporcionar a possibilidade da prática da agilidade de maneira mais leve e menos convencional, o que pode ser além de extremamente enriquecedor, divertidíssimo!

2. Aproximar o time de Pessoas dos times de desenvolvimento

Trata-se do fato de que o time de Pessoas, por maior que seja (não é o nosso caso, porque temos “apenas” duas bravas guerreiras, além da Patrícia Kost, a Juliana Ruiz), não possui interações tão profundas com todas as pessoas da empresa o tempo todo. Além de inviável, é contraprodutivo e no fim, não tem necessidade, já que há uma infinidade de atividades que esse time conduz.

Agilistas fatalmente estão inseridos num grupo menor de pessoas, que são os times que atuam em projetos específicos. Dentro desse contexto, surgem diversos eventos entre os envolvidos que podem estar relacionados apenas a um ou outro conflito interno, inerente ao trabalho ou, expor algo mais amplo e complexo como uma dificuldade pessoal/familiar, alguma insatisfação com a empresa, alguma dificuldade de relacionamento ou qualquer outro aspecto que demande análise e ação “extra-time”. 

Esse tipo de cenário reforça o exercício continuo do olhar para o outro de maneira atenta e empática e ao envolvimento ativo com no mínimo, a mitigação da sua angústia, seja ela qual for. Assim, criamos uma rede de apoio que permite nos relacionarmos com as pessoas como pessoas de fato e não como um “recurso” facilmente substituível. Esse olhar faz toda a diferença a nível de acolhimento, cuidado e carinho com quem trabalha conosco e isso é, além de um grande diferencial, algo em que de fato acreditamos e cultivamos em nosso dia-a-dia.   

3. Apoiar ações que impactam todas as pessoas da organização

Por fim, neste último ponto dizemos respeito à percepção de comportamentos, angústias ou dúvidas generalizadas e potencialmente prejudiciais para o conjunto e a elaboração de estratégias didáticas, efetivas e saudáveis para abordá-las. 

Recentemente, realizamos uma ação “O que é permitido na Lambda3” onde elencamos algumas situações como perguntas, do tipo: “É permitido dormir na empresa?”. Dividimos o espaço da dinâmica nas áreas:  “Sim…”, “Tenho dúvidas” e “Não”. Conforme líamos as perguntas, as pessoas se direcionavam a esses espaços de acordo com as suas percepções.  

Não havia a menor intenção de julgar quem estava certo e quem estava errado ou validar se alguém já havia vivenciado ou compartilhado aquelas situações. Basicamente captamos em nossas interações dúvidas diversas e achamos importante trazer para a discussão para esclarecê-las de maneira colaborativa. Foi um exercício bem bacana!

 

Acho que, considerando o título desse post, falei um pouco sobre oportunidades e alguns desafios. 

 

Mas e parte dos sufocos?

Bem, basicamente todos eles se resumem ao fato de lidarmos com pessoas. Lidando com pessoas, a previsibilidade sobre qualquer reação cai drasticamente, porque são histórias diferentes, percepções diferentes, crenças diferentes, entre outras diferenças …  As mais diversas. Minha próxima frase pode ser bem controversa a essa afirmação, mas da mesma forma como esse fato nos expõe a possíveis sufocos, também é o que nos enriquece e por isso não devemos desistir ou esfriar nosso ímpeto de melhorar nosso contexto. 

Para ilustrar melhor esse ponto do sufoco, compartilho um outro momento recente: Em seguida a ação “O que é permitido na Lambda3?”, realizamos a ação “O que você faria?”. Do mesmo modo como na anterior, elencamos algumas situações que estavam sendo recorrentes na empresa e após expô-las, questionamos os participantes sobre o que eles fariam. Mais uma vez, a proposta não era estabelecer julgamentos ou criar rótulos sobre quem tem ou teve um ou outro comportamento.

Basicamente, gostaríamos de conversar e entender o quão problemáticos poderiam ser e como poderíamos nos posicionar caso os vivenciássemos… Na teoria estava tudo ok, mas na prática, foi no mínimo… tenso. No melhor esquema “quem sabe faz ao vivo”, precisamos mudar o direcionamento da atividade pois surgiram incômodos e algumas posturas tidas como julgadoras. E faz parte. Lições aprendidas e versão 2 para não perdemos a oportunidade de amadurecermos em conjunto.     

Em suma, talvez pelo meu otimismo congênito, entendo que parcerias são imprescindíveis para ampliarmos não só o alcance do nosso trabalho, mas também para enriquecê-lo. Toda troca nos permite evoluir, quebrar conceitos pré-estabelecidos, desafia nosso individualismo, muitas vezes nosso orgulho… Todas podem trazer desafios e até alguns conflitos, mas certamente com uma parceria saudável, engajada e com valores alinhados estes riscos são mais fáceis de gerenciar. Os ganhos sem dúvida valem a pena.   

E aqui na Lambda tem mais parcerias que valem post, aguarde! Rs

 

Por hora é isso. Se quiser aprofundar esse papo, tirar dúvidas ou compartilhar alguma vivência, deixe um comentário! 

 

Até a próxima! 😉