Lá se vão 2 anos da Lambda3 depois do post Sim! Sem gerentes! e o outro Fire All the managers. Se você não leu os posts até hoje, aconselho muito a tomar um tempo e ver o início dessa história, na época, ultra polêmica que temos orgulho de ter participado. O desdobramento dos dois textos pode ser acompanhado nos comentários. Obrigado a todos os que participaram, foi uma das discussões mais ricas que já fizemos.

Rá!

Mas enfim, de quê isso tudo adiantou?? 2 Anos depois estamos aqui, vivos, produzindo conteúdo, entregando projetos e fazendo inúmeras consultorias (inclusive com um Case Mundial na nossa área). E aquela história toda de sem gerentes, de que a auto-organização favorece bons resultados, e que é uma possibilidade viável para qualquer empresa? Bem, vou tentar, na minha visão fazer uma auto-análise sobre o que isso gerou para nós e para o mercado.

Em 2013 a Lambda3 não tem gerentes, ponto. Nisso não mudamos. Continuamos uma empresa informalizada e sem departamentos muito definidos (além do básico para evitar um colapso emocional dos novos ingressantes). Mas nosso entendimento dos papéis dentro da empresa mudou.

Tentamos por algum tempo, sem necessariamente ter consciência disso, atuar no chamado Laissez-faire, que funcionava muito bem enquanto estávamos em 10 pessoas. Em 2012 chegamos a quase 30 pessoas, e isso dificultou um pouco as coisas. Principalmente tendo um time distribuído. Manter os mesmos valores e ter um time coeso, saudável e produtivo foi muito difícil. Nesse modo, as conversas por email começaram a se tornar por vezes violentas e é natural que existisse algum descotentamento, e que o nível de estresse subisse: os projetos sofrem, as amizades sofrem. Ao conversar com o time como um todo, o entendimento foi de que deveríamos focar nossos esforços em São Paulo.

Aprendemos muito com o episódio, inclusive admitindo nossa incapacidade de conduzir aquela estrutura na época, e fizemos algumas mudanças: convidamos quem estava no Rio a vir morar em São Paulo, onde estávamos tendo ótimos resultados na integração e no trabalho democrático. O Breno é fruto dessa coragem 🙂

Nesses últimos dois anos falamos MUITO sobre democracia organizacional: TDC, Agile Brazil, Caipira Ágil e inúmeros outros. Antes éramos recebidos com quatro pedras nas mãos, hoje em dia já temos vários amigos empresários tentando e obtendo sucesso reduzindo os problemas e as barreiras que um modelo hierárquico e burocrático nos trás. Em especial os amigos da Webgoal, que chegaram a receber um prêmio de inovação em gestão em 2012, agindo muito parecido conosco.

Alguma coisa mudou?

Comunicação

Entendemos que algumas das ferramentas que tínhamos estavam prejudicando nossa interação, e possivelmente gerando mais problemas do que efetivamente ajudando na comunicação. O principal ponto pra nós estava em conseguir fornecer feedback construtivo para todos que na Lambda trabalham, e permitir que as pessoas soubessem a partir de seus pares, como elas estavam se comportando. Hoje usamos as seguintes ferramentas:

  • Feedback Canvas: Esta semana falaremos mais aprofundadamente sobre o tema. Esta é uma ferramenta para ajudar a construir uma cultura de feedback, e estamos gostando bastante. Como apresentado pelo Raphael, é uma forma direcionada de colher feedbcak e auxiliar o voluntário a entender onde ele pode melhorar, na visão de seus pares.
  • Yammer: Substituimos os famosos “emails para empresa toda”, já que email é uma pessima ferramenta e comunicação no grupo. O Yammer é um facebook corporativo, e agora assuntos que levariam muito tempo por email, estão melhor organizados.
  • LambdaSync: Esta é uma reunião simples que fazemos há bastante tempo, cuja função é que todos tenham uma visão rápida de quais as contribuições dos demais para com a empresa. A reunião funciona respondendo 3 perguntas: O que você fez profissionalmente no último mês? O que pretende fazer profissionalmente no último mês? Algo no último mês o incomodou? – Assim conseguimos compartilhar um pouco da informação, e problemas que por ventura apareçam são discutidos logo após o sync, facilitados por alguma das pessoas presentes
  • Padrinhos: Uma nova pessoa entrando na Lambda3 recebe um padrinho 🙂 – Isso mesmo, inspirado no eterno clássico do cinema, os novos integrantes possuem um ombro amigo, mais velho na empresa, que o ajudará em questões relativas a sua interação com a empresa. Não sabe o que significa o sync? O padrinho ajuda! Não entendeu direito essa história de democracia organizacional? O padrinho explica! Essa é uma forma lúdica de criar um porto seguro para os novos ingressantes, para que eles não se sintam completamente perdidos (acontece bastante)
  • Wiki: Criamos vergonha na cara e criamos um wiki da empresa. Nele é possível encontrar descrições sobre algumas das restrições e convenções que temos na empresa, além de ser um ponto onde vc pode encontrar referências sobre o que fazemos. Ele está sendo constantemente atualizado. A intenção é parecida com a cartilha da Valve, sem os desenhos divertidos 🙁

Financeiro

Durante muito tempo o trabalho Financeiro era meio largado, sem dono, com a Sabrina (responsável pelo Administrativo da empresa) quase enlouquecendo de tanto trabalhar fazendo tudo na empresa – so faltando entregar projetos com a gente.  Além disso, haviam algumas pessoas interessadas em participar. O que fizemos? Agora temos uma pessoa atuando exclusivamente para cada uma dessas áreas, com conhecimento e empolgada em fazer a área acontecer.

E quem quiser, do restante das pessoas, pode participar das reuniões e se informar a respeito do que anda acontecendo na empresa nas áreas. Algumas pessoas se organizaram e criaram o Maguila (um sistema porrada), responsável pelo processo de reembolso da empresa, e o Macguiver, que apresenta o quanto de contribuição financeira para a empresa cada funcionário trouxe, baseado nos projetos que eles atuam.

Contratações

Graças à ajuda (e o trabalho) do grande Raphael Molesim, temos um processo de contratação maduro. Inclusive estamos contratando… vc sabia?

Nosso processo de contratação não mudou muito em relação ao que já falamos neste blog.

  • Quem quer participar das contratações, se envolve
  • Combina com o Raphael e participa das reuniões
  • Se voluntaria para ser padrinho do contratado aceito

Planejamento

Nosso foco principal agora é ter ferramentas e integrar as pessoas para que elas possam participar no processo decisório da empresa.

Exemplo: vamos construir um site novo da empresa. Quem decide a mensagem do novo site? O Layout? O foco do site? Todos os interessados!

Fizemos uma reunião convocando todos para discutir qual seria a mensagem do site novo, qual seria o foco dos produtos e serviços que oferecemos. Feito esse entendimento, um representante do grupo voluntário apresentou para a agência responsável pela arte.

O Novo escritório? Voluntários se organizaram para buscar e visitar possíveis locais que foram votados.

A organização do LambdaDay 2013 ? Feita por todos que queriam fazer um evento acontecer. Escolha do local, definição da grade, pagamento dos fornecedores, trâmites contratuais, recepção – feito pelos interessados! Neste evento, o envolvimento dos sócios foi 1 só: palestrar 🙂

Visão estratégica para o TDC 2012 e TDC 2013? Numa reunião com todos os palestrantes e interessados, nós decidimos qual seria o discurso alinhado no evento, e qual o nosso foco, como empresa, em buscar negócios.

Comercial

Atualmente eu e o Igor Abade estamos “mais à frente” do comercial. Somos os gerentes do departamento? Não.

Na verdade eu diria que somos os envolvidos da área. Significa que alguma outra pessoa pode tocar um contato comercial? Com certeza! Sem o nosso conhecimento? Claro!! Inclusive é super comum que um consultor inicie um contato comercial e nos chame caso seja necessário ajuda na parte burocrática do processo: propostas, contratos e negociações.

Nesses dois anos já ocorreram casos em que um projeto foi estendido e toda a negociação comercial foi discutida diretamente pela equipe que desenvolvia o projeto, sem a necessidade de um “gerente de conta” ou algo do tipo.

As pessoas que trabalham em consultoria são incentivadas a ficarem com orelhas em pé com possíveis oportunidades, e seguirem o processo de venda, caso achem válido. Já que estamos lidando com isso há anos, acabam chamando eu ou o Igor para auxiliar nesse processo.

É comum que as pessoas se convidem (ou sejam convidadas) a participar de reuniões com clientes (que são abertas para qualquer um participar). Isso porque muitos estão interessados em entender qual é o discurso de venda de projetos para startups, agilidade e outros jabás que nós fazemos.

Outra coisa que temos feito é um relacionamento pós venda com os clientes relativos aos projetos em andamento, sendo uma visão independente do andamento dos projetos (um ombro amigo), preocupado com o relacionamento com os clientes.

Bem, muitos processos ainda estão amadurecendo, e estamos nos influenciando muito pelo conceito de Beyond Budgeting, e existe uma tendência interna em criamos silos ainda mais independentes.

Estamos todos aprendendo, e vamos seguir sem gerentes: crescendo como empresa e ampliando nossa percepção sobre como construir essa empresa nos próximos anos.

Obrigado por nos acompanhar.