A Lambda3 acredita que o Dia Internacional da Mulher deve ser representado como um momento de reflexão sobre as atitudes das pessoas – independente do gênero e o que podemos fazer de diferente para conquistar mais espaço e igualdade no tratamento dentro da sociedade.

Estamos quase ao fim da série Mulheres da Ciência e hoje falaremos um pouco sobre Grace Hopper.

Grace Murray Hopper nasceu em 9 de dezembro de 1906 em Nova Iorque foi uma analista de sistemas da Marinha nos Estados Unidos nas décadas de 1940 e 1950 e almirante. Era a irmã mais velha de três irmãos e sempre foi uma criança curiosa, um traço que a marcou pela vida. Ao sete anos ela decidiu descobrir como funcionava um despertador e então resolveu desmontar sete despertadores.

Em 1928 se graduou como bacharel em Matemática e Física e dois anos depois concluiu um mestrado na Yale University, onde também conquistou o título de Ph.D em Matemática. Em 1931 começou a lecionar Matemática no Vassar e dez anos depois foi promovida a professora associada.

Durante sua licença de Vassar em 1943 – Grace que foi uma das varias mulheres a se voluntariar no WAVES (Women Accepted for Volunteer Emergency Service) –  foi empossada na Marinha dos Estados Unidos. Por estar abaixo do peso minimo exigido pela Marinha (54 kg) ela precisou de uma autorização excepcional para se alistar.

Se apresentou em Dezembro do mesmo ano para realizar o treinamento na Escola Naval Reserve Midshipmen’s do Smith College em Northampton, Massachusetts. Em 1944 se formou como a primeira da turma e foi designada para a Bureau of Ships Computation Project da Havard University como Tenente Junior.

Serviu na equipe de programação do projeto Mark I, também conhecido como a Calculadora Automática Controlada por Sequencia, e durante esse período solicitou transferência para a Marinha regular no final da Segunda Guerra Mundial. O pedido foi recusado devido a sua idade (38 anos) e então ela continuou servindo na Reserva da Marinha permanecendo no Laboratório de Computação de Harvard até 1949, recusando uma cátedra em Vassar para trabalhar como pesquisadora num contrato da Marinha na Harvard.

Ainda em 1949 Grace se tornou parte da corporação Eckert-Mauchly Computer como matemática sênior e compôs a equipe de desenvolvimento UNIVAC I (primeiro computador comercial fabricado e comercializado nos Estados Unidos). No inicio dos anos 1950 a empresa para a qual trabalhava foi incorporada pela empresa Remington Rand e nesse período desenvolveu seu compilador, que ficou conhecido como O COMPILADOR e sua primeira versão foi em A-0 (Arithmetic Language version 0, primeiro compilador desenvolvido para um computador eletrônico).

Em 1954 Grace foi nomeada a primeira diretora de programação automática onde foram criadas algumas das primeiras linguagens de programação baseadas em compilador, incluindo Flow-Matic que deu origem ao COBOL (Common Business- Oriented Language).  Alguns anos mais tarde, em 1966, Hopper teve de se afastar da Marinha, devido à idade, mas logo depois foi chamada de volta para ajudar com o pagamento eletrônico da folha de pagamento por um curto tempo. Mas o que a princípio seriam de 6 meses, foram convertidos em vários anos. Em 1973, Grace Hopper foi retirada da reserva e nomeada capitã. Aposentou-se da marinha em 1986, já como contra-almirante.

Entre os muitos prêmios que Grace Hopper recebeu, encontram-se mais de 40 doutorados honoris causa, a medalha de Serviço Distinto da Defesa a Medalha Nacional de Tecnologia, e um destróier da Marinha americana leva seu nome: USS Hopper (DDG -70) .

Desde 1971 é entregado o Prêmio Grace Murray Hopper pela ACM (Association for Computer Machinery). Entre os vencedores incluem nomes famosos do computador moderno como Donald Knuth (primeiro prêmio, 1971), Stephen Wozniak (1979) e o Richard Stallman (1990).E desde 1994 (e, anualmente, desde 2006) é realizada em sua honra o Congresso Grace Hopper Celebration of Women in Computing .

Ela faleceu em 1 de janeiro de 1992, aos 85 anos de idade. Definitivamente uma mulher extremamente interessante, uma pessoa à frente de seu tempo e um cientista determinada que a informática deve muito do que é hoje.