Atlanta, berço do movimento pelos direitos civis nos EUA, local de luta contra a discriminação e o racismo institucionalizado americano dos 50. A foto acima é de um mural existente no Centro Nacional para os Direitos Civis e Humanos, e exemplifica a união de diversas lutas sociais por igualdade de direitos, participação e vida no mundo.

Nesse cenário de transformação mais de 2500 profissionais se reuniam para uma semana inteira de muita troca de conhecimento, discussões, palestras, mesas redondas, workshops e networking. Esta foi a maior Agile Conference de todos os tempos: 2500 participantes, 260 palestras e 6 dias de atividades espalhadas em salas pelo Hyatt Regency am Atlanta. Foram quase 3 mil pessoas juntas, aprendendo e compartilhando conhecimento.

board_aa_confEsta foi a minha primeira conferência como membro oficial da Agile Alliance. Como no ano passado estive bastante atarefado com o grupo da Agile Alliance Brazil, e acabei não participando de muitas sessões, mas desta vez resolvi explorar a conferência de todas as formas possíveis, participando o máximo de sessões e do que a conferência tem a oferecer. Estava interessado em alguns pontos específicos (agile em organizações, sociocracia, métricas, lean, kanban, etc) e tentei buscar as sessões que mais se encaixaram com o tema.

Esse post vai apresentar um pouco do que vi na conferência, e não tem pretensão de ser uma grande referência – com 260 palestras, a minha realidade na Agile 2016 foi completamente diferente da experiência das demais pessoas. De modo geral este foi um evento sensacional, mesmo que ainda existem pontos a serem melhorados para os próximos (salas lotaram muito rápido, o que me fez perder alguns sessões que estava super empolgado em participar).

O evento começou para mim no domingo com um evento chamado Women In Agile, cujo intuito é reunir mulheres líderes e praticantes para discutir sobre técnicas e a participação da mulher no contexto do desenvolvimento ágil de software.

O evento contou com o keynote de Cindy Morse, VP de Engineering Operations da Salesforce. Cindy apresentou sua experiência de iniciar o trabalho liderando um time de engenharia e como ela teve a oportunidade de crescer na carreira. Na visão de Cindy, existe, no mercado de Agile, um enorme espaço de crescimento para que mulheres se tornem experts e thought leaders em suas áreas, ampliando ainda mais as chances de ampliarem suas carreiras para se tornarem líderes.

Diversidade e participação da mulher foram o tema do restante do evento, que tomou o formate de Lean Coffee. Super divertido participar das discussões!

 

O primeiro keynote do evento foi Jurgen Apelo, founder da Happy Melly e famoso no mundo por causa do livro Management 3.0. Nesta palestra, Jurgen apresentou seu novo livro, e foco de suas últimas palestras: Managing for Happiness. Se você já conhece o livro, não perdeu muito com a palestra, que uma versão de seus últimos vídeos (esta entrevista pode ser útil). No argumento do livro, que a meu ver segue um linha de catálogo de práticas, ele discute o fato de Gestores não saberem lidar com pessoas e como má gestão sempre gera má performance. Segundo Jurgen, o papel dos gestores é construir um ambiente e um contexto que nutre a felicidade e o engajamento dos profissionais, entregando serviços com significado.

Em seu livro ele propõe ações em diversas áreas, para alcançar este estado de felicidade e cultivar ambientes mais produtivos. Entre essas ações, podemos citar: criar espaço para celebrações no time, rodar experimentos para acelerar o aprendizado, ambientes descontraídos, construir serviços para o significado, permitir a mudança dos contratos, ampliar as conexões entre as pessoas e gerir o sistema.

 

Depois dessa sessão eu assisti ao workshop do Troy Magennis, da Focused Objective, falando sobre Forecast Probabilístico e análise estatística de resultados. Foi uma ótima oportunidade de lembrar das aulas de estatística do curso de Ciência da Computação, com um exercício com dados e previsão de resultados.

Talvez o ponto mais interessante dessa palestra não tenha sido o exercício em si, mas a discussão sobre como podemos utilizar essa informação em nossos projetos, e como se valer de análises de Monte Carlo e Weibull para avaliar o lead time de nossos projetos. Essa palestra tem muito a ver com uma discussão que aconteceu no Slack de Agilidade, e que eu acredito que trará muito para nossos projetos internos. E já estamos usando isso para conduzir nossas conversas com clientes.

Troy tem todo seu conteúdo publicado no github. Recomendo muito a leitura do que ele possui, e principalmente dar uma aprofundada na planilha de análise de Throughput & Cycle Time.

A discussão sobre a sessão dele pode ser vista numa entrevista realizada no evento: Aproveite!!

 

Logo após essa palestra eu fui numa sessão sobre Sociocracia, modelo de organização e governança que tenho me interessado nos últimos tempos. O modelo me atrai pela simplicidade e pela capacidade de ser aplicado em contextos grandes de hierarquia.

Na sessão simulamos um dos processos da sociocracia que é a decisão em grupo e o processo de consentimento e eleição de representantes. John BuckJutta Eckstein apresentaram o modelo, e foi interessante conhecer um pouco mais, apesar da sessão ter deixado mais perguntas que respostas. Bem, estou preparando um post a respeito do modelo, quem sabe nas próximas semanas ele estará pronto.

Logo depois dessa sessão foi a hora de dar uma relaxada com Paul Hammond falando sobre Improv Comedy e 5 Disfunções de um time. A Sessão foi bastante divertida, cheia de brincadeiras vindas do mundo de comédia de improviso para tocar em como atuar em cima de cada um dos problemas relatados no livro 5 Dysfunctions of a Team.

Um ponto alto do evento para mim foi a palestra de Joshua Kerievsky sobre o modelo Modern Agile, do que qual ele tem falado há alguns anos. De modo geral, Joshua apresentou sua visão quanto à evolução dos métodos ágeis nos últimos anos e propõe uma mudança quanto à maneira na qual encaramos desenvolvimento de software, e como usamos métodos ágeis nos dias de hoje. Em sua visão, está na hora de removermos as práticas antigas do desenvolvimento ágil (estimativas, velocidade, interações, burndown, reviews, etc) para incorporar o que existe de mais novo nos dias de hoje nessa área (continuous delivery, flow, lean startup, experiments). Sendo seus estudos, o Modern Agile toca em 4 grandes valores que guiam o desenvolvimento atual: Tornar pessoas incríveis, Fazer de segurança uma prioridade, experimentação e aprendizado rápido, entrega de valor continuamente.
O modelo é super alinhado e inspirado nos valores Lean de Respeito pelas pessoas e Melhoria contínua, o que é representado na forma como cada valor interage na realidade das empresas.
Para cada um desses valores, foram apresentadas empresas que atuam de maneira moderna para atender às necessidades de seus negócios. Vale a pena passar um tempo lendo sobre o modelo (que é opensource) na página oficial, e continuar a discussão. Recomendo os slides da palestra, disponíveis aqui.

As sessões que eu mais curto são chamadas de Stalwarts, que são sessões com um convidado especial e num formato de Fishbowls. Se você está na conferência e interessado sobre conversas abertas, sem mimimi e profundas, esse é o lugar para estar. Nem que seja para ouvir, você precisa participar dessas sessões!!

Bem, além disso, os destaques para mim foram as palestras da Esther Derby sobre como criar um ambiente de liderança em todas as camadas da empresa, e da Linda Rising sobre como lidar com a resistência. Ambas palestras foram sensacionais, e merecem um post específico… mais informações em breve! 😀

Esse ano de 2016 foi especialmente importante para a conferência, com o aumento do público e o nível de discussões que surgiram. Acabei participando de várias sessões de openspace e conhecendo ainda mais a comunidade internacional que participa do evento. Se você ainda não foi a uma conferência, sugiro muito pensar na possibilidade de estar por lá no próximo ano!