Agile Alliance e Intel se juntaram para organizar um novo Evento na Europa, com o intuito de ser mais uma local de encontro e troca de experiências sobre Desenvolvimento Ágil em geral. Assim surgiu o primeiro Agile Europe em Gdansk, Polônia!

O evento contou com a participação de especialistas de 15 países, entre eles Dinamarca, Suécia, Rússia, Polônia, Ucrânia, Holanda, EUA, Brazil, entre outros. Foi muito legal conhecer uma nova comunidade ávida por conhecimento e participação!

Os quatro dias do evento foram divididos em palestras pela manhã e condução de workshops à tarde. O formato me agradou muito, e deu a oportunidade de aprofundar alguns conceitos.

Palestras que assisti:

O primeiro keynote do evento foi Diana Larsen, falando aprendizado e mudança no contexto de organizações VUCA (voláteis, incertas, complexas e ambíguas). Neste ambiente, a sua capacidade de aprender pode ser a principal vantagem competitiva para sobreviver. Como líderes, o grande desafio é habilitar a mudança em suas organizações através do aprendizado.

Diana e seu filho Willem estão no caminho de terminar mais um livro, entitulado The Five Rules of Accelerated Learning, e sua palestra esteve ligada aos desafios e estratégias para habilitar o aprendizado nas organizações e como inspirar a mudança pessoal através do aprendizado. Dentro as 5 regras para o aprendizado, ela destaca:

  • Keep it Alive: Aprendizado é sobre pessoas, e precisamos estar prontos a auxiliar essas pessoas no processo de aprendizado.
  • Do it for Real: Nas palavras de Woody Zuill – “É fazendo o trabalho que nós descobrimos o trabalho”, mantendo a idéia de que uma ótima forma de aprender é através de experiências, e a reflexão sobre elas.
  • Setting First: Criar um ambiente para o aprendizado é importante para que possamos habilitar o aprendizado.
  • Start Obvious, Stay Obvious: É importante eliminarmos a ambiguidade, a incerteza e a hesitação de iniciar com o óbvio, e seguir no processo de aprendizado através da prática.
  • Focus on the Flow: É importante estar atento ao fluxo de aprendizado, e quais os passos que definimos para conduzir o aprendizado, para que não seja assustador demais, ou chato demais.

Meu primeiro workshop do evento foi sobre Auto-organização e Liderança Ágil com Andrea Provaglio, que correu muito bem, com a participação de muitas pessoas, e inúmeros exercícios sobre decisão em grupos, motivadores para auto-organização e os principais desafios para tal. Apesar de relativamente iniciante, foi super interessante interagir com o meu grupo sobre o que é auto-organização e como nós podemos ampliar nosso trabalho em equipe.

 

Acabei assistindo também uma outra palestra do Andrea a respeito de Valor, sendo a realização de um benefício percebido por quem recebe, e nunca por quem produz. Nessa visão, não podemos dissociar o Valor entregue de quem o recebe, sendo imprescindível esta relação em nosso processo de entrega de software.

Uma vez que Valor é algo dependente de seu contexto, é necessário identificar todos os pontos na seguinte frase:

Entrega o quê para Quem? E Por quê?

Para tal precisamos identificar Atores, Metas, quantificar Metas e estratégias para cada cenário. Andrea propõe uma avaliação inspirada em sistemas adaptativos através de mapas de impacto e avaliação de interesses da pessoas a quem o software será entregue.

Os slides dessa apresentação pode ser encontrado aqui.

O segundo dia começou com inúmeras lightning talks, lideradas por Jutta Eckstein, Adam Cetnerowski.

Assisti a um case de transformação organizacional muito interessante na Ericsson. Hendrik Esser, liderança na empresa para essa transformação, apresentou suas impressões e aprendizados na experiência de trazer a Ericsson para uma realidade Ágil.

No Case da Ericsson, uma grande lição foi identificar o processo de mudança organizational como um sistema de interações humanas, e atuar neste sistema através de um modelo interativo de experiências, que permitissem aos responsáveis avaliar o andamento da transformação sobre a ótima dos sistemas complexos.

Assim, Hendrik propõe uma avaliação de quais seriam as restrições para influenciar o sistema humano/social na empresa, além da relação que restrições possuem umas com as outras. Ele apresenta uma ferramenta com o nome de “Sistema de Ação Humano” – a intenção é, a partir de um objetivo desejado, entender a relação interconexa entre restrições, para planejar e direcionar ações. O slides de Hendrik Esser apresentam inúmeras interações de aprendizado na Ericsson, e como o uso dessa ferramenta os auxiliou a conduzir o processo de mudança da empresa e avaliar os resultados.

Human System Action Tool

 

Então participei do workshop que mais me chamou a atenção quando li o programa do evento: Como reduzir as contradições da Hierarquia e times auto-gerenciáveis através da Sociocracia.

Liderado por Jutta Eckstein e Pieter van der Meche, fizemos um exercício com o intuito de apresentar os principais conceitos práticos da Sociocracia resolvendo um problema real. Fomos divididos em 2 grupos cuja função era chegarmos a um acordo e uma decisão conjunta.

Muitos times ágeis sofrem do desencaixe do modelo ágil de trabalho e estruturas organizacionais hierárquicas. Baseada em auto organização e processos interativos, times podem enfrentar muitos problemas com o tradicional modelo top-down das empresas. Consequentemente, não é incomum que Agilistas acabem por promover a existência de empresas ágeis que funcionem sem hierarquica, que também pode levar a problemas como falta de alinhamento e a sistemas ainda mais complexos de gestão. A Idéia da Sociocracia é aproveitar os beneficios da hierarquia nas organizações (eficiência, aderência, controle) com os beneficios da auto-gestao (colaboracao, transparencia, autonomia)

O Workshop foi bastante proveitoso! Espero conhecer ainda mais de Sociocracia, inclusive já até submeti até um workshop sobre o tema para o Agile Brazil.

 

Ray Arell, diretor da Intel, fez uma palestra muito interessante sobre Inovação e como conduzir ambientes inovadores. Segundo Ray, inovação é um processo que nós podemos apenas influenciar, e que controle e previsibilidade não são as melhores ferramentas para tal.

Em inúmeras empresas é comum ver idéias inovadores serem rechaçadas por terem vindo de locais comuns, e não daqueles designados em “desenvolver inovações. Um exemplo emblemático é o caso de Steven Sasson que, enquanto trabalhava na Kodak, inventou a primeira câmera digital em 1975 (10 anos antes dos primeiros modelos), mas foi impedido de levar o projeto para frente por um gestor, que o proibiu de mostrar a invenção para a diretoria. Empresas inovadoras não determinam quais profissionais “iluminados” terão as ideias inovadoras que podem mudar a indústria, elas buscam inovação em todos os lugares, e permitem que todos cresçam a partir de seu sucesso.

Um exemplo apresentado por Ray é como a Microsoft, nos dias de hoje, tem compartilhado o máximo possível de informações sobre seus projetos, inclusive liberando muito de seu conteúdo como OpenSource, possibilitando a interação com uma grande multidão de entusiastas, e habilitando a inovação através do compartilhamento de idéias.

Para fechar o evento, tivemos a apresentação de Stephen Denning, também falando sobre transformação organizacional. Stephen comentou como uma transformação ágil que a Microsoft iniciou há alguns anos em seu tive de desenvolvimento de software, e de que maneira ela está sendo expandida para toda a organização, dado os grandes avanços que vemos nos dias de hoje na empresa, como a redução do ciclo de release de software de 3 anos, para 3 semanas, além da estratégia de times multidisciplinares.

Esta história da Microsoft já em bem conhecida de nós da Lambda3. Inclusive, no último DevOps Summit Brasil, tivemos a participação do Fernando Figuera falando Como a Microsoft faz Software, apresentando como os times da empresa se organizam nos dias de hoje. Os slides podem ser vistos no slideshare.

Ainda há muito conteúdo sobre o evento no Sched do evento: http://agileeurope2016.sched.org

Acredito que o Evento tenha sido um sucesso, principalmente pela participação do público. Em todas as interações que eu tive, todos pareciam empolgados com o evento acontecendo na Polônia (que nos dias de hoje vive um boom de empresas de tecnologia), e estavam muito interessados em levar mais práticas e conhecimento para seus ambiente de trabalho.

Espero que este tenha sido o primeiro de muitos eventos do tipo pela europa!

Abaixo seguem algumas fotos e comentários sobre o evento: