Pensando em Lean

Estive na sexta-feira passada no Pensando em Lean, evento organizado pela Oncast, do amigo Samuel Crescêncio, que conheci porque ele também fez parte da organização do AgileBrazil este ano.

O foco do evento era, obviamente, falar de Lean. A Mary Poppendieck e o Tom Poppendieck, referencias mundiais no assunto, fizeram keynotes de abertura e encerramento do evento. Rodrigo Branas, Luiz Parzianello e o próprio Samuel fizeram as outras palestras.

O evento saiu muito barato, se não me engano estava em R$150, quase de graça para um evento que traz ao país pessoas mundialmente conhecidas na área em que atuam, além de reunir a comunidade ágil mais uma vez. Figuras imperdíveis mais uma vez estavam lá, incluindo o Klaus Wuestefeld, que foi keynote no AgileBrazil, além de boa parte dos organizadores do AgileBrazil, e diversos amigos de São Paulo e de fora.

Eu tenho certeza que mais de metade de qualquer evento de tecnologia acontece fora das palestras. Este não foi diferente. Happy Hour, almoço, bate papo nos corredores, não são precificáveis. Foi muito bom rever todos e conversar com pessoas inteligentes e que desafiam nossa forma de pensar. Me lembro agora da discussão sobre kanban, Scrum, e outros assuntos que tive com o Paulo Caroli e outros amigos durante o almoço. Só esse bate papo já valeria o evento, não fosse todo o resto também. Em tempo: o Caroli estará no QCon São Paulo que acontece neste fim de semana, falando de card wall, algo que também discutimos muito nesse almoço.

Muita coisa interessante foi dita por ali, e foi bom ver a forma de pensar de todos os palestrantes. Só não gostei muito da maneira com que o Scrum, e qualquer processo que use interações na verdade, mas especificamente o Scrum, foi colocado. Por algum motivo quase todos os palestrantes listaram o Product Owner do Scrum como alguém centralizador, quase um gerente do time. Não gostei de outras coisas também, mas essa foi a que mais pegou pra mim. Mas tudo bem, tive minha chance de debater o assunto. Sério.

Enquanto o Branas falava, eu conversava baixinho no fundo do auditório com o Samuel sobre a visão que havia sido colocada pela Mary Poppendieck e estava sendo reforçada pelo Branas, de que, basicamente, Scrum vinha do inferno. Coloquei meus pontos de discordância, e o Samuel, sempre disposto a elevar a discussão, me chamou para participar do painel de liderança que ocorreria à tarde. Convite feito e imediatamente aceito, iria eu perder uma chance de defender o PO?

O painel foi ótimo, tive a chance de reconstruir o PO, e lembrar a todos que Scrumbut não é Scrum, e que comparar Lean, kanban ou qualquer outra coisa com Scrumbut não é justo ou inteligente. Além disso, senti uma certa tentação em alguns momentos de alguns dos meus colegas debatedores em ver o líder como alguém mais valioso que o resto do time, e aproveitei para colocar minha visão sobre times e empresas heterárquicos e desprovidos de burocracia. Talvez isso incomode um pouco a maneira meritocrática de ver o trabalho, principalmente nos EUA, mas eu não acho que uma coisa necessariamente exclui a outra. Em poucas palavras: o líder não ganha mais e não é mais importante que o resto do time, ele é um componente para o sucesso do projeto, assim como qualquer outra pessoa. Gostei muito da Mary Poppendieck ter lembrado da comparação do líder com um maestro, que ajuda a orquestra a integrar o trabalho, mas não os comanda. É isso mesmo, desde que o maestro não ganhe mais e não seja paparicado de forma diferente do resto da orquestra está tudo perfeito. E cabe um post só sobre isso.

Resta ainda muito que preciso comentar sobre kanban e scrum, e já estou devendo um post sobre isso, ainda mais depois do post do Ken Schwaber que causou tanta comoção na comunidade ágil em geral. Farei isso em breve.

O evento terminou num ótimo happy hour, onde todos os palestrantes e boa parte das pessoas que estavam no evento (eu incluido) fomos comer no The 50s. Foi ótimo para fazer previsões de futuro com os Poppendieck, falar sobre outros assuntos em geral, e nos atualizarmos sobre o que cada um está fazendo. E a comida lá é ótima.

Em tempo: passei uma parte do tempo com os amigos Hugo Corbucci, Mariana Bravo e Felipe Rodrigues me ensinando a fazer “Hello World” em diversas linguagens diferentes. Mais divertido impossível, instalamos e rodamos lá, que eu me lembro agora, Erlang, Haskell, Scala, Python, Ruby, C# (no mono), e Small Talk.