Do livro Extreme Programming Explained, de Kent Beck:

XP relies on the growth of powerful programmers; able to quickly estimate, implement, and deploy reliable software. These programmers turn over business decision making to the business-oriented part of the team. The appropriate sharing of power and responsibility among the team may seem utopian. This balance is contingent on mutual respect. There is no absolute power. The power of XP evaporates if misused. Each manipulated estimate, each job rushed through without pride, puts the team that much further from its potential power. XP relies on each member of the team; including executives, managers, and customers; to be fully committed and contribute what he can. A team working together can accomplish more than the sum of its members’ separate efforts. Sharing power is pragmatic, not idealistic.

Traduzido:

XP se baseia no crescimento de programadores poderosos; capazes de estimar rapidamente, implementar e implantar software confiável. Estes programadores entregam as decisões de negócio para a parte do time focada em negócios. Um compartilhamento adequado de poder e responsabilidade entre o time pode parecer utópico. Este equilíbrio depende de respeito mútuo. Não há poder absoluto. O poder do XP se evapora se mal utilizado. Cada estimativa manipulada, cada trabalho corrido entregue sem orgulho, coloca o time mais longe de seu potencial. XP espera que cada membro da equipe, incluindo executivos, gerentes e clientes, esteja totalmente comprometido e que contribua o que puder. Um time trabalhando junto pode conseguir mais do que a soma dos esforços dos seus membros em separado. Compartilhamento do poder é pragmático, não idealista.

Estimativa manipulada?

Trabalho corrido?

Sem orgulho?

Isso não acontece, não é? É por isso que continuamos trabalhando com gerentes pressionando times para entregar, em vez de tentar entender e se comprometer com a entrega. É porque funciona! É porque entregamos o escopo certo a tempo, com qualidade, dentro do custo esperado. E todos os envolvidos ficam felizes no final, o cliente, o gerente, e os desenvolvedores. Isso sem falar no lucro, abundante em toda a cadeia.

Ok, o momento ironia acabou. Mas falando sério, se tudo dá tão errado, porque será que as empresas lutam tanto contra o compartilhamento do poder entre os líderes e os que realmente realizam o trabalho? Se o comando e controle já se provou fraco e ineficiente, porque insistir? Vou mais além: porque comprar software que sabemos que não vai ser entregue como esperamos, e depois cobrar como se fosse? Porque tanta relutância em se envolver?

Às vezes acho que esses padrões denotam algo de loucura, insanidade.

Me questiono porque somos democratas só da empresa para fora? Da porta para dentro somos ditadores e escravos. Somos religiosos, cristãos, éticos, mas não quando isso afeta o resultado. Essa dinâmica, que supostamente melhoraria a última linha do balancete, está produzindo resultados pífios, além de muito stress e doenças do coração. Ela definitivamente não está melhorando o resultado.

O seu papel, neste cenário, deve ser no mínimo fazer a sua parte. Você tem por obrigação e respeito à profissão o dever de não aceitar abusos, seja de seus funcionários, que não querem se comprometer e se envolver, seja de seus gerentes, que insistem em te controlar como se isso fizesse a menor diferença, ou de seus clientes, que demandam o impossível, sabendo que é impossível, querendo terceirizar um problema. Faça sua parte, eu estou fazendo a minha.

Compartilhamento do poder é pragmático, não idealista. É ele quem vai catapultar seus resultados, e junto sua felicidade. Imagine poder ganhar dinheiro enquanto respeita seus colegas de trabalho e satisfaz o cliente. Milhares de empresas são capazes de fazer isso hoje, através da democracia aplicada ao ambiente de trabalho.

Deixo vocês com essa palestra do Ricardo Semler, da Semco, dada no MIT, intitulada “Liderando por omissão”, de 2005. Vejam como democracia aplicada traz resultados.