Não sei se você sabe, mas aqui na Lambda3 nós temos semanalmente brownbags, que são encontros em que os Lambdas podem agendar para falar sobre qualquer assunto que ache interessante. Técnicos ou não, os brownbags servem para exercitar a oratória e para compartilhar conhecimento e gerar insights na galera.

Dia desses eu assisti a um vídeo do Filipe Deschamps, que me chamou bastante atenção pelo tema: vítima, figurante ou protagonista. A grande sacada do tema e da forma como foi abordado pelo Filipe é que, como coach, me deparo constantemente com estes perfis.

Seria ingenuidade minha achar que toda a população mundial se enquadra em três perfis. Mas estes são os mais evidentes, pelo menos no meu dia a dia.

Então, resolvi apresentar um brownbag sobre o tema aqui para os Lambdas. E foi um trabalho tão prazeroso (tanto que fiz os slides em menos de duas horas) que eu achei que deveria compartilhar isso com o maior número de pessoas possível!

E assim nasceu esse artigo!

Pra começar, vamos entender um pouco sobre estes três perfis.

A Vítima

Imagine uma praia… Você gosta de praia?

Quando você está na praia, você costuma passar o tempo na areia, construindo castelos de areia?

Pois A Vítima também! E faz isso muito bem!

A pessoa que chamamos de Vítima é aquela que passa a vida inteira executando tarefas repetitivas, indefinidamente. Uma vida sem risco e sem glória, dentro da zona de conforto.

Mas não é só isso que A Vítima faz bem! Ela sabe muito bem como reclamar! Você deve conhecer alguém que diz “toda vez que eu vou pra praia, chove!”. E não é que isso seja de todo verdade. Mas A Vítima está tão absorvida pela sua névoa de lamentações que as suas recordações estão em volta do que aconteceu de negativo.

E, no fundo, ela gosta disso! Afinal, “dar ruim” é o ela tem de mais interessante para compartilhar. Por isso, A Vítima adora curtir uma dor de cotovelo!

Num primeiro momento, é quando ela consegue atenção em algum nível. Num primeiro momento, veja bem! Por que, com o tempo, essa ladainha afasta as pessoas! Vai dizer que você nunca inventou uma desculpa para fugir daquela pessoa que só reclama da vida?

O Figurante

Figurante é o “arroz de festa”. Imagine, na mesma praia, aquela pessoa que fica com água até a cintura, chamando todo mundo.

O Figurante é responsável por desafiar A Vítima o tempo todo. Muitas vezes, não de uma forma boa. Muitas vezes exaltando suas fraquezas.
Parece ótimo o trabalho do Figurante, certo?

Sim! E não! Por que O Figurante faz todo este carnaval com os pezinhos bem firmes no chão. E sabe por que?

Por que O Figurante não sabe nadar! Experimente dar uma rasteira nessa pessoa e você verá alguém completamente desesperado, lutando pela sobrevivência. Em águas rasas!

Ou seja, O Figurante, que desafia tanto A Vítima a sair da zona de conforto, não sai do seu próprio conforto. Então, ele cumpre um propósito, mas não se diferencia muito dA Vítima, no sentido de aceitar desafios.

O Protagonista

Quando eu era bem pequeno, lembro-me de todas as vezes em que fui à paia com meus pais. E lembro-me dos momentos em que via meu pai “sumir” na água e aparecer bem longe, onde era difícil reconhecê-lo.

E eram poucas situações em que se podia reparar uma sensação de liberdade extrema. Não havia medo, contas a pagar, problemas do dia a dia. Só meu pai e o mar.

O Protagonista se joga no fundo do mar, nadando e se divertindo com isso. O Protagonista sabe os riscos que ele corre, mas ele supera o medo constantemente, pela sua jornada. Não é que O Protagonista não tem medo; é que ele sabe que a jornada vai trazer tantas recompensas, tantas histórias pra contar, que ele entra na sua zona de superação constante.

É como se ele mesmo se desafiasse constantemente.

Trazendo para a Empresa

É perfeitamente possível trazer estes perfis para a empresa! A convivência deles pode indicar como a empresa se posiciona no mercado, inclusive.
Empresas com muitos perfis de Vítima raramente inovarão em alguma coisa. Empresas com perfis Figurante até conseguem chegar a um grau de inovação, mas limitado. As empresas formadas por Protagonistas são as inquietas, que estão sempre buscando oportunidades.

E o que acontece quando, dentro da empresa, um perfil se sobressai ao outro? Basicamente, duas coisas: medo ou tédio. Medo de viver uma vida repleta de riscos; ou tédio por não conseguir correr risco nenhum.

Pensando na analogia com a praia, podemos ter o ambiente tomado por duas atitudes:

  • se nivelarmos o nível da água pra baixo, teremos uma empresa rasa, sem inovação e com algumas pessoas desmotivadas, pois não são motivadas tanto quanto gostariam;
  • se nivelarmos o nível da água pra cima, vamos afogar muita gente boa, que trabalha muito bem. E não falo só da Vítima, mas também do Figurante, que não lida muito bem com a incerteza.

E o que seria melhor?

A melhor das saídas é ensinar todo mundo a nadar, ir cada vez mais fundo! Vamos respeitar as pessoas, sim, mas vamos contribuir com a sua evolução. Vamos ajudar as pessoas a saírem da sua zona de conforto.

Como aprender a nadar?

A psicóloga organizacional Carina Diniz dividiu, de forma bem interessante, a busca por crescimento em quatro zonas:

A Zona de Conforto, onde nos sentimos bem e familiarizados. Tudo o que fazemos na zona de conforto, fazemos bem.

A Zona do Medo, onde opiniões externas podem nos afetar de forma negativa, pois acreditamos que não conseguimos fazer algo fora da Zona de Conforto. Mas, mesmo assim, o medo já é um passo para a mudança. Costumo dizer que o que nos diferencia é o que fazemos com nossos medos.

A Zona de Aprendizagem, é um lugar onde superamos nossos medos e começamos a aprender novas habilidades e a lidar melhor com nossos desafios. Isso significa que estamos ampliando nossa Zona de Conforto.

Por fim, existe a Zona de Superação, onde percebemos que podemos alcançar nosso Sonhos através deste ciclo contínuo.

Na verdade, somos os três!

Sim, é verdade! Não somos exclusivamente Vítima, Figurante ou Protagonista! Em cada nuance de nossas vidas, podemos assumir uma destas posturas. E isso é algo semelhante com o que chamam de livre arbítrio! Precisamos ter a consciência de que podemos escolher como lidar com os desafios.

E é aí que se encontra a beleza da nossa existência!